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O passo mais difícil
Dizem que "o primeiro passo é o mais difícil." Ele exige curiosidade, sorte e até um certo incômodo que nos tire do lugar. O primeiro passo é esse abandono do conforto conhecido. Mas passo difícil mesmo é o tal do último. Esse aí exige um não sei quê de absurdo e de morte. O primeiro passo é cheio de esperança, o último cheio de vazio. Esse abandono do movimento, esse contato com o fim. Saber "a hora de sair de cena", aceitar os aplausos, agradecer e cair na certeza do silêncio. Virar a página é mais difícil quando ela é a última, mesmo que exista um volume dois perdido na incerteza do futuro. Quem sabe? É triste o fim de uma linda história. Como se com ela acabasse toda a possibilidade de beleza.
"Não dava pra continuar" não resolve o vazio do túmulo, nem acorda o cadáver. É só tristeza e ser só.
Agora arruma o quarto e vai dormir. É assim que todo fim termina, em um sono eterno.
Até que um dia, talvez, quem sabe... Mesmo que agora isso pareça impossível, chega a hora do desconforto e vem o primeiro passo. Difícil...
Escrito por Manuela Dias às 14h33
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Nana e Momo - um bolero de carnaval
Sábado fui ao desfile das campeães no camarote da Brahma. Senti como se estivesse entrando no Estúdio de Malhação na Ilha de Caras. Ninguém ali parecia muito preocupado com o carnaval ou com qualquer das ecsolas de samba. Era uma festa para a imprensa. Muito bem produzida, verdade seja dita. A comida estava ótima, o chopp estava gelado e os garçons eram muito solícitos e simpáticos. Esquecendo que estávamos ali para ver o desfile, estava tudo perfeito. Logo depois da Unidos da Tijuca, a primeira escola a desfilar, começou um baile funk - coisa que eu adoro, inclusive porque me lembra os meus 16 anos, no Baile da Pereira da Silva ou em Santa Teresa. Amei e fui logo dançar, sem saber que ele não pararia mais. Sequer para ver a escola passar. Como o baile ficava entre a Avenida e o ar-condicionado (imprescindível) a coisa virou um baile funk de madame, à la Caras, com aquele toque de comercial que as camisetas iguais conferem ao ambiente.
A melhor coisa foi a volta pra casa. Não porque estivesse pensando no conforto do lar, mas porque Geraldinho deu uma carona para Nana Caymmi e ela veio pelo Aterro, cantando boleros em espanhol. A coisa mais linda que existia. Aquele corpanzil momesco, entoando cantos míticos pela Baía de Guanabara, o carro deslizando, o Sol mandando os primeiros sinais do dia... e Nana me lembrou afinal do que tudo aquilo se tratava... de comemorar a alegria de estar na avenida!
Escrito por Manuela Dias às 14h33
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