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O cheiro da comida
Pés em terra carioca. Que banzo! Adoro os morros do Rio e quando eles se encontram com o mar é lindo, mas acontece que eu sou baiana... E aí dá sempre uma saudade da brisa, da cor do dendê, do povo interessado no cheiro da comida. Amigos contemporâneos-conterrâneos. Amigos de terra, de sangue, de velhos carnavais. Tá tudo com filho, um bocado de baianinhos novos, netos dos Novos Baianos. A constelação Gala-Grossa pairou sobre a cidade do Salvador. A praia, o Porto da Barra, o mar que não é gelado... é útero cósmico, é mainha e painho se amando e nós mergulhando, mergulhando. Ô, queijinho! Me vê um com orégano e outro com melaço. Ói, baiana, o meu com vatapá, camarão e sujinho de pimenta. Mas só sujinho, viu? E bem camarão. É muito desejo por esquina. É gente, é cor, é cheiro, é um tal de vem cá, neguinha. É a Bahia todinha.
Saudade é coisa de distância que a gente sente até quando está perto.
Escrito por Manuela Dias às 11h16
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