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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish



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Da alegria de ver minha nêga

"Madame" acaba de estrear em São Paulo. O chute inicial dessa peça foi dado 5 anos atrás. Eu estava me despedindo da (dis)função de atriz com meu primeiro texto como autora, "Soul "4", dirigido pelo maravilhoso Luiz Salém e produzido em um esquema familiar entre mim, Susana (Pires), minha mãe, Renata Castro Barbosa (atriz da peça) e (um pouco menos) pela Arieta Corrêa (outra atriz da peça). Eu já tinha trabalhado com a Susana numa montagem de "A Lira dos Vinte Anos". A partir daí ficamos amigas, sempre com sonhos de trabalho que foram virando projetos. Já no "Soul 4" escrevi um papel que era inspirado e dedicado pra Susana, com uma pitada de Chica (outra amiga minha). Bem, a peça já tinha estreado, quando a Su começou a ler "O Segundo Sexo" e me disse que era genial. Eu comecei a ler e tivemos a idéia de fazer uma peça. Escrevi um monólogo que se chamava "Uma odisséia para Simone". Eu escrevia para ela e ela produziria para nós, esse era o pacto de parceria. Logo a Ângela (Frota) entrou no projeto e nós entramos na lei. Enquanto elas corriam atrás de dinheiro, eu corria atrás do texto. Do monólogo até o texto que estreou quinta-feira (04.07.2005) no Centro Cultural São Paulo, foram exatamanete 12 versões. Tudo me influenciou: fundamentalmente, a obra completa da Simone de Beauvoir, incluindo todas as biografias disponíveis e um documentário; alguns livros do Sartre (não todos); as leituras que fizemos no Sesc Tijuca e na Casa da Gávea, nas quais distrubuí três perguntas para o público (num mini-Ibope pessoal); o mito de Eros e Psiquê (principalmente a interpretação do Junito Brandão); meu amigo Xico Sá com suas reflexões sexuais e filosóficas em seu blog (O Carapuceiro - quem ainda não leu, não sabe a delícia que está perdendo); e, com certeza, a disfunção carioca que muito me ensinou sobre "sins" e "nãos" para toda a vida; além de todas as coisas, pessoas, amores, desamores, letreiros... Mas nem tanto... Simone de Beauvoir é a pedra fundamental dessa discussão, ela e seu amor por Sartre. 

E estréia paulista estará para sempre em um dos momentos mais felizes da minha vida. Queria beijar o pé de todas aquelas pessoas que estavam ali, lotando um teatro de 300 lugares. Público de verdade, cercando os 20 ou 30 convidados. Eles riam e calavam, ensaiados: perfeitos! Eu amo o público paulista!!!

Fui dormir com uma infinidade de sentimentos maravilhosos, dos mais generosos aos mais mesquinhos. Essa peça teve uma trajetória árida mas quinta-feira eu vi como são lindas as flores do deserto. O filho tá na praça! Viva! Que todos os orixás da Bahia derramem axé na luz que reflete os cílios das atrizes. Peço a benção de gregos e baianos para abrir a cortina! Orei iê iê, ô, minha mãe! Êpa, baba! Obrigada, meu pai...



Escrito por Manuela Dias às 12h45
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Gosto de Bahia

- Acarajé de Sônia no Farol da Barra

- Nadar no Porto da Barra

- Pôr-do-sol no Porto da Barra

- Mingau de tapioca com canela em pó

- Coxinha de catupiry da Perini

- beiju

- sequillhos

- cuscuz da minha avó com ovo estelado

- bobó de camarão

- Dust Müller ( um jeito tipicamente baiano de tomar sorvete, com calda de chocolate e leite em pó)



Escrito por Manuela Dias às 00h05
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Motumbá, Bahia!

Na Bahia eu existo sob meus pontos mais pessoais. Só aqui que a essência do que sou volta a banhar-se naquilo que me faz ser eu mesma. E pelada eu já tô vestida. É esse jeito de fora pra dentro, esse dendê no meu umbigo. Essa música, esse vento. Ô, Bahia, que aconchego danado... Minha pele está ativa, tomei um banho de axé. Ser eu sem fazer nada, eu preguiçosa. Mas não preguiçosa por displicente, preguiçosa dedicada à contemplação, aos detalhes; preguiça de tanta pressa sem importância. E com o tempo, o tempo se elastece. Por que é que eu estava correndo mesmo? Porto da Barra, acarajé, mar morninho, o vento... e essa lezêra... esse ser à vontade completamente preenchido. Preciso de nada não, aqui mesmo tá bom.



Escrito por Manuela Dias às 18h00
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