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É DA NASA!
Ontem recebi o convite de uma academia de ginástica para experimentar um aparelho que, em 15 minutos, faz o trabalho de uma hora de corrida. A atendente me explicou que ele foi desenvolvido pela Nasa para os astronautas fazerem exercício no espaço. Isso me lembrou a estimulação russa, mini-choques que enrigecem músculos e melhoram a celulite – também inventada para os astronautas pela Agência Espacial Russa. Quando desliguei, recebi um telefonema de uma amiga que, entre outras coisas, me contou que havia comprado dois travesseiros sensacionais que nunca deformavam – adivinhem – feitos pela Nasa!
A Nasa foi criada em, 58, plena Guerra Fria, para ser responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial e, principalmente, ostentar o poderio americano diante do perigo comunista. Com o passar dos anos, os desafios se modificaram. A Nasa não está mais bolando foguetes, agora as pesquisas se concentram no aprimoramento de bens de consumo. O interesse no espaço se desviou para o mercado. Com a queda do muro de Berlim e a abertura econômica da China, para não falar da ilhada Cuba, o perigo político ecoa cada vez mais distante na História. Nos resta o desafio mercadológico – e nele a economia das multi-nacionais substitui a política dos países.
É claro que eu marquei o teste com o tal aparelho. Também vou comprar o travesseiro mágico – imagina, é da Nasa! No capitalismo, o que não é marca, queria ser – brand new. Nomes, marcas, rótulos. Daqui a pouco teremos tênis de astronauta, óculos escuros de astronautas, sapato scarpin de astronauta. A Nike, a Vitor Hugo e a Ray-Ban que se cuidem, competir com a Nasa deve ser fodinha!
Escrito por Manuela Dias às 23h34
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Miopia pra ver longe
Há cerca de quatro anos foi diagnosticado que eu sou míope. Quase dois graus em cada olho. Antes do veredito da oculista jamais suspeitei que sofria de alguma deficiência. Só depois que coloquei os óculos, eu vi que não via! A miopia nos rouba a precisão das linhas e com o foco também se vai um pouco do brilho, a luz se torna difusa – algo assim como viver em um mundo by Monet. No começo fiquei chocada com o quanto eu era deficiente e não sabia! E, certamente sem querer, me absorvia a idéia de quantas “miopias” espalhadas e escondidas deveriam habitar minha existência. (Nunca concluí se o melhor seria descobri-las todas, ou não.) Talvez devesse usar os anteparos visuais durante todo o dia para corrigir meu defeito. Talvez o melhor fosse viver de óculos, ou ainda: providenciaria lentes de contato. Quem sabe até radicalizar com uma correção cirúrgica!
Porém, assim como se instalou em minha vida, aos poucos a miopia foi me ensinando sua lição desfocada. Sempre fui uma pessoa muito ansiosa. Ver, distinguir e analisar o mundo é um impulso compulsivo da minha personalidade. Com a miopia, aos poucos, fui deixando de ver as linhas e começando a ver a continuidade que liga todas as coisas. Aprendi a não saber quem está do outro lado da rua até que ele (ou ela?) atravesse na minha direção. O mundo é mesmo uma incógnita além de sete ou oito metros de distância. Preciso me acomodar no presente, aqui no lugar onde estou. E então, aprecisar esse pôr-do-sol Impressionista tão lindo... que só os míopes conseguem ver!
Escrito por Manuela Dias às 17h19
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Dá-lhe Daniela!
Daniela Cicarelli, ninfa dionisíaca e afrodisíaca, sem limites por excelência e definição, flagrada, em plena luz de Apolo, em coito jamais interrompido por camisinhas ou qualquer outra burocracia - como um paparazzi armado. Agora, a bacante midiática vai para a forca dos cancelamenos de campanhas e contratos. As empresas precisam fazer essa cruxificação para promover a moralidade besta e depois precisarão contratar a musa-mousse de novo, pois o escândalo a fará mais famosa, para vender os próximos lançamentos. Daniela se reerguerá das águas de Afrodite, trazida pela espuma de Tato Malzoni! Como fez quando se separou de Ronaldo e perdeu todos os contratos, há poucos anos. Como afilhada de Dionísio, a louca sabe renascer quantas vezes for preciso. E essa mesma força a fará se matar outras tantas vezes. Daniela peca sempre pela burrice. E burrice é coisa que se paga à vista. Desonestidade tem desconto, mal-caratismo, ladronagem, tudo a gente negocia... Mas burrice custa caro! Quando se casou com Ronaldo, Daniela formava um casal "perfeito". Ele, atleta internacional, ela triatleta e modelo - de corpo útil e malhado e não mirrado como a maioria que povoa as passarelas. Mas Daniela tropeçou na vaidade e caiu na burrice. Inventou aquele casamento de Chantilli, não convidou a mãe manicure (coisa que pega muito mal por estas bandas), barrou a Caroline Bittencourt (a única pessoa que começou a carreira sendo barrada em uma festa!). Parecia que a ninfa tinha virado cinzas. E tinha, condição ideal para renascer. Ela se ergueu, fechou contratos e eis que agora, morre na praia, literalmente. Mas daqui a pouco ela estará de volta! Pronta para morrer mais uma vez. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos!
Escrito por Manuela Dias às 14h15
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Relato de meu encontro com Carlota
EU - Oi!
ELA - Como vai, gata?! Que saudade! Que cabelão, hein?
- Pois é...
Olhei pra ela e pensei, "será que ela não percebe que eu sei que é ela?"
ELA - O quê?
Pensei alto demais. Falei calmamente:
EU - Eu sei que é você, sabia?
- Eu, o quê?
Na verdade ela estava dizendo: "Será que você está falando do que eu estou pensando que você está falando?"
EU - Exatamente isso que você está pensando... Eu sei que é você.
Tempo.
ELA - (tentou se defender de surpresa, inclusive para si) Mas eu te sempre te chamo pros meus aniversários.
Não respondi. Ela ficou triste.
ELA - E agora?
EU - Agora nada. Eu sei que você gosta de mim. A gente sente muita coisa por uma mesma pessoa. Às vezes sentimentos opostos. Sempre verdadeiros.
- É. Que bom que você sabe que eu gosto de você. Porque isso é mesmo verdade. Eu gosto de você, mas sabe como é...
Eu sorri e ela também. A gente se entende. Talvez eu também a odiasse um poquinho. Certamente não tanto.
- O que me incomoda é o excesso de ódio.
- Você acho um pouco demasiado?
- Acho. Você é tão linda, tão bem sucedida, tão... tá tudo certo com você! Eu acho.
- É, está. Sabe, minha vida está mesmo uma maravilha. Meu namorado, o trabalho... eu até emagreci.
- Que ótimo! Você é um dos meus anjos da guarda. Certamente não por causa da Carlota, mas por tudo, você sabe.
- Sei. Inclusive aquelas duas vezes.
- Claro, inclusive isso.
É ruim quando a conversa acaba antes do papo. A gente sorriu e se abraçou. Senti que ela suas costas tremeram e depois suspiraram.
EU - Tá tudo bem.
ELA - De verdade?
- Acho que sim. Nunca dá pra ter certeza.
- É, são muitos sentimentos. Às vezes contraditórios.
- Sempre verdadeiros.
Escrito por Manuela Dias às 21h03
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Batendo os times:
realistas e construtivistas
fotógrafos e montadores
ulcerosos e tumoros
ansiosos e depressivos
existencialistas e platônicos
harmônicos e melódicos
barrocos e clássicos
retóricos e autônomos
(...)
Escrito por Manuela Dias às 20h40
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Esnobismo para quem precisa
O esnobismo está causando uma crise no setor de prestação de serviço, os trabalhadores que antes se dedicavam a executar ordens estão em extinção. Lembro que antigamente quando entrávamos em uma loja de roupa as vendedoras eram solícitas, quase subservientes. Se você reclamasse, elas sempre davam um jeito, procuravam em outra loja, de outra cor, em outro tamanho, a costureira de plantão estava sempre a postos para qualquer ajuste necessário. Naquela época quem tinha problema era a roupa, hoje é você. As vendedoras viraram personal stylists (delas mesmas). São ariscas e deixam claro o quanto nós estamos atrapalhando. Depiladora também não existe mais, agora é tudo esteticista. Os cabeleireiros se transformaram em hair stylists. Quer dizer, o cara se recusa a cortar seu cabelo como você quer, porque ele não é um prestador de serviço. Agora o que rola são parcerias, consultorias, entende? Daqui a pouco a moda pega e os ascensoristas vão escolher o andar em que cada um deve descer; os garçons vão ignorar seu pedido decidir o almoço; e as babás vão se responsabilizar pela educação dos seus filhos. O esnobismo está disseminado.
A palavra “esnobe” vem de um antigo hábito de muitas faculdades Inglesas do começo do séc. XIX que marcavam com a sigla “s.nob.” (sem nobreza) os alunos que não provinham da aristocracia. Tendo surgido para designar pessoas sem status, rapidamente a palavra assumiu o significado oposto, difundido e usado até hoje. Mas acho curioso que os mais esnobes sejam sempre os mais inseguros de sua própria condição, como se a sigla s.nob. estivesse marcada em suas testas e eles precisassem provar o contrário à base de antipatia. Quando por outro lado, nos sentimos seguros, podemos exercitar a generosidade sem pudor de perder o status aos olhos do mundo.
Escrito por Manuela Dias às 19h27
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Não sei se é caretice minha, mas toda vez que eu vejo o Zico mandando os torcedores do Flamengo tomarem uma Schin para ajudar o time, acho estranho. Estranho porque me lembro do Zico anos 80, saudável, batendo um bolão, com cabelo e levando o time pra frente. O Zico me dava estímulo para correr, largar meus problemas e ser uma atleta. Aí hoje, me aparece o Zico com um cabelo meio implante, meio mussarela, com uma carinha de ressaca, me mandando tomar uma Nova Schin? Do jeito que ele fala, parece que o alcoolismo é a nova maneira de provarmos ter um coração rubro-negro. "Imagina se todo mundo resolver ajudar time ao mesmo tempo!" Pô, Zico, é estranho pacas! Além disso o Flamengo é um clube esportivo, que supostamente deveria estar associado a hábitos saudáveis, e não estar mandando a torcida rubro-negra pro bar, a fim de pagar com o próprio fígado um percentual de ajuda cevada para o time do coração. Em um país com o nosso índice de pobreza e alcoolismo e contando que a torcida rubro-negra é uma nação... Acho que essa propaganda é no mínimo irresponsável.
Escrito por Manuela Dias às 20h27
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pá
lavra-se
Escrito por Manuela Dias às 16h21
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Ô vida só ida
estamos sempre
de partida
Escrito por Manuela Dias às 00h12
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De noite o tempo pára e todas as angústias parecem eternas. Durante o dia o tempo anula a eternidade, as sombras que se movem de acordo com o sol indicam que tudo passa. O escuro instante da noite dura uma eternidade. Por isso só agora é possível dormir. Só depois que o horizonte se acende, numa penumbra que não ilumina mas indica movimento, é possível ver que o tempo continua passando. E tudo vai passar com ele, inclusive eu serei tragada pelo meu tempo. E se a despedida pode ser doce, porque nunca o é?
Escrito por Manuela Dias às 05h53
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US
you ass
Escrito por Manuela Dias às 21h30
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Comigo aconteceu!
Cheguei para voar e todos os vôos da nossa Varig haviam sido cancelados, todos, todos, todos. Sem previsão.
Fiquei mais um dia em LA e agora estou em Bushland, Texas.
Amanhã chego na terrinha!!!!
Beijos a todos
Escrito por Manuela Dias às 21h29
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Tudo para Carlota!
No meu último post cometi 3 erros. Um de atenção, um de digitaçao e outro de "país". É óbvio que lojinha é com "j". A tour do Hearst Castle é dividida em 4 e não em 5 partes como escrevi a princípio. E o outro erro foi porque os Miller americanos são com "i" enquanto os que mantém a grafia de origem alemã são com "ü". Mas, graças a deus, tenho uma leitora especial: Carlota. Quando cometo um erro ela está sempre aqui para me corrigir, quando vacilo, aqui está ela, se tenho um ataque uganista, carlota me controla dizendo que o Brasil é mesmo uma bosta. Sempre carinhosa, ela me corrige "sua burra sem cultura! com esse repertóriozinho ninguém vai pra frente". Meu erro pode ser pequeno ou grande, pode até mesmo ser uma confusão... Carlota não perdoa e está sempre presente para me dar aquele toque amigo. Carlota faz por mim muito mais do que alguns amigos elogiosos, ela me acompanha assinalando meus erros e me ajudando a melhorar, na base do "é errando que se aprende" (ainda mais com Carlota no seu encalço). Fiquei triste de ter apagado o último comentário dela... Arrependida é a palavra. A forma jeitosa que Carlota tem de me corrigir valeria uma conferida. A melhor coisa é que Carlota, como boa professora, volta para ver se eu fiz as correções indicadas e até me elogia (ver comentário na última postagem). Meu problema é que não sei exatamente quem é Carlota... Por isso escrevo hoje, invocando Carlota a se revelar. Não estou chateada, pelo contrário, simplesmente preciso de Carlota em outros setores da minha vida, em todos os setores talvez. Assim caminharei mais segura, sabendo que quando vacilar minha brava (bravíssima) Carlota vai estar ao meu lado para me dar aquele toque amigo "Porra, caralho, tu é debolóide ou o quê?". Se fizer uma escolha errada, vacilos amorosos, mancadas históricas, enfim... estamos sempre à beira do erro. Os amigos têm uma tendência a elogios e pequenos perdões, por isso uma pessoa como Carlota tem tanto valor. Pode até ser que ela não me corrija por amor ou consideração, mas o que Carlota faz por mim é coisa de imensa serventia. Valeu, Carlota!
Escrito por Manuela Dias às 23h22
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Just buy! It's America!
Gastar um tempo nos EUA faz a gente entender definitivamente o conceito de produto: qualquer coisa é produto desde que alguém pague por aquilo. Por exemplo, visitei o Hearst Castle (a casinha de mais de 30 quartos à beira do Pacífico construída pelo milionário que inspirou Orson Welles em Cidadão Kane). A família é biliardária e doou a propriedade para o Estado da Califórnia. Só pra dar uma idéia do lance, lá está a original de uma Diana que a cópia está no Louvre, sacou o nível da grana? Enfim, ninguém ali precisava dos meus 25 dólares, mas isso não é motivo pra não cobrar! 25 dólares por cada tour, sendo que a casa foi dividida em 4 tours, o que dá... 100 dólares! Só de entrada para conhecer a casa completa! Logo na saída é claro, está uma lojinha onde se pode comprar uma réplica da casa, da Diana, do sr. Hearst, de qualquer coisa, além de camisetas, bonés, fotos, enfim... Just Buy it all!
Alcatraz, por exemplo. Era uma prisão abandonada, que há alguns anos foi ocupada pelos índios. O que os caras fazem? Dão uma reformada e pã: colocam uma roleta na porta e cobram entrada. Logo na saída, claro, lá está a lojinha! Vamos sempre lembrar que aqui é a terra dos bagels, das sinagogas, dos endinheirados judeus... (sem qualquer anti-semitismo, muito pelo contrário! Até hoje sinto falta dos nossos judeus que, uma vez expulsos de terras brasileiras, foram fundar Nova York! Eu quero é os nossos judeus de volta!).
É como imaginar que após a morte do "senhor Roberto", nós colocássemos uma roleta na porta da mansão do Cosme Velho, dividisse a casa em 5 partes e cobrasse 20 contos por casa tour. Na saída colocaríamos uma lojinha com o livro de Dona Lili e o livro do Bial à venda, com bonequinhos miniaturas do comunicador-milionário, botons e relógio com o emblema da empresa, etc. etc. etc... E ao invés de implodir o Carandiru em um "ato histórico-simbólico", nós faríamos um áudio-tour que guiasse o visitante através da construção, reconstituindo o massacre do carandiru, com sonoplastia de tiros e gritos. Na saída a clássica lojinha ofereceria roupas iguais a que os presos usavam, o livro do Dráuzio Varela, a biografia dos assassinados e dos assassinos. Entendem? TUDO é produto!
Poderia continuar a lista das casas-museus, submarinos-da-segunda-guerra-museus, Museu do Snoopy, Museu do Henry Miller, enfim, qualquer lugar com uma roleta na porta!
Vamos aprender a vender rápido, só assim a gente pára de cair no conto do consumidor!
Escrito por Manuela Dias às 00h15
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Loucura é esse nada que tudo mistura.
Escrito por Manuela Dias às 19h51
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